7 de jul de 2015

Sociedade Machista



Ela estava na pré-adolescência. Louca por livros. Amante das aulas de ciências humanas. Adorava maquiagem, balada e o pôr do sol. Não era de se vestir que nem uma garotinha, gostava mais de um estilo grunge. Mas não perdia a feminilidade. Gostava de debater assuntos polêmicos. Trabalhava de vez enquanto para sustentar seu delírios. Então ela conheceu um garoto. Que seria o garoto da vida dela. Ele era perfeito. Não era bonito fisicamente, mas emocionalmente e mentalmente falando, ele era o cara que ela sempre sonhou. E eles conversaram, marcaram de sair, ficaram.... Namoraram. E no meio de um namoro conturbado, eles tiveram sua primeira vez. Primeira dela. A dele, ele não faz nem as contas. Foi perfeito. Como tinha que ser, ou como ela sonhava. Ela estava tão feliz! Era a menina mais feliz do mundo! Mas depois de algumas semanas, ela foi percebendo algumas coisas estranhas. E com alguns meses ela teve certeza. Ela estava grávida! Era o fim do mundo para ele. E o relacionamento? Estava tão conturbado que ele decidiu ir para outra cidade. Decidiu ir "procurar oportunidades de emprego". E foi. E ela? Ela ficou num quarto escuro. 


Sem ninguém ali com ela para ajudá-la com o seu medo do escuro. Ninguém. Mas ela foi forte. Passou os dias tentando sair do seu quarto escuro. Até que encontrou a porta e conseguiu sair. Até que ele voltou. Quando ela já estava forte e segura ele voltou. E ela? Ela aceitou ele mesmo assim, passaram um tempão juntos. A criança nasceu. Foi um parto complicado. Ela sentiu tantas dores... Mas foi o dia mais feliz da vida dela. Ela era a mamãe mais feliz da maternidade. A criança era linda! Ela foi para casa. Ele a acompanhou. A recuperação foi complicada. Ela sentia dores na cirurgia. Foi difícil ficar de pé... caminhar... Mas ela levantou, caminhou... E passaram os meses... Ele estava lá. Mas era como se não estivesse. Eles brigavam constantemente. Passaram-se alguns meses e ela não aguentou mais tanta tristeza disfarçada de felicidade... Então, ela acabou com aquele relacionamento. Que quem via de fora pensava que ela era feliz, mas por dentro ela era um poço de infelicidade. Ele sumiu. Aparecia de vez enquanto para ver a criança. Ela se recompôs. O bebê precisava de fraldas, leite, produtos para higiene, etc. Ele quase nunca ajudava. E o que ela fez? Ela foi para a guerra. Mesmo estudando ela foi procurar emprego. E não conseguiu. Mas ela não desistiu. Arrumava dinheiro de qualquer forma para garantir o bem estar da criança. Ela lutou, lutou e continua a lutar. Acorda diariamente de madrugada para ir estudar. Vai dormir depois que todos já estão a horas na cama pensando em como vai colocar os mantimentos da criança no dia seguinte. Ela agora é só uma adolescente. Mãe. Guerreira. Estudante. Militante. Feminista. E ele? Ela não sabe mais dele. Mas constantemente ela escuta que ele é que é homem de verdade. Que ele é que é pai de verdade. Que os homens da terra deveria ser que nem ele.



E por que eu contei tudo isso? E por que somente as últimas frases estão destacadas? 
Por que eu cansei. Cansei dessa sociedade machista., em que a mulher trabalha fora, estuda, tenta de todas as formas, pulando e superando qualquer batalha para no final ela ser julgada. Julgada por pessoas que nunca ouviram as dores e as lástimas dela. Pessoas que não sabem o que ela passa. Jogam toda a "culpa" em cima dela. O homem nunca erra. Sempre está certo. Pode deixar o filho(a) com a mãe para ir ao barzinho, festinha... E mesmo assim ele vai estar certo e a mulher estará errada. Por que é obrigação da mulher cuidar e educar os filhos. Até quando? Até quando a sociedade vai pensar dessa forma? Até quando "Ela" vai ser julgada? Até quando somente "Ele" vai estar certo? Por que eu estou falando isso tudo? Por que Ela não queria isso tudo. Ela é tão nova. Tinha tanta coisa para viver, e foi tudo jogado fora. E os seus sonhos foram substituidos por outros. Outros que ela não sonhou, ela idealizou. E mesmo ela sofrendo dores, lamentações, culpa, julgamentos... ela está firme. Firme cuidando dos filhos, pois para ela os seus filhos são os maiores tesouros dela. E não é justo estarem julgando ela. Tudo bem, ela errou. Mas ela cumpre com o seu papel, todos os dias, todas as noites... Porém todo dia, novos julgamentos. E ela simplesmente CANSOU. 

Eu CANSEI!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar, vamos ler, e responde-los! Obrigado...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
© Dois Jeitos de Ser - 2015. Todos os direitos reservados.
Criado por: Daiane Santos ¬ Vitória Alves.
Tecnologia do Blogger.